Terça-feira, 22 de Março de 2011

 

 

Gosto do primeiro traço numa folha branca, e não gosto mesmo nada do último. Não gosto de falar sobre mim, pelo que indirectamente não gosto deste exercício em particular. Gosto de me sentir diferente, quase como se visse repugnância na semelhança. Gosto de confirmar a resposta certa de um exercício, não gosto de não compreender alguma coisa. Gosto da paisagem que se deforma de um veículo em movimento, não gosto de quando ela acaba. Não gosto de fins nem de despedidas, porque também não gosto de mudança. Gosto de correr e sentir o ar passar rápido por mim, tal como de me divertir, e, em vez de ar, passar o próprio tempo a voar. Não gosto de estranhos nem de multidões, porque praticamente também não gosto de pessoas. Gosto de Medicina, exactamente por não poder explicar porquê. Gosto de lógica, como se tivesse medo que o Mundo se desintegraria caso não fizesse sentido. Gosto de ver o escuro e de ter as janelas bem fechadas. Não gosto, à partida, de coisas que muita gente gosta. Não gosto do frio metálico, mas do calor humano. Não gosto de ser tocado violentamente. Gosto de assinar textos, e de indicar o resultado final de equações. Gosto de perseguir os meus sonhos, porque me dão uma razão para viver. Gosto de cadáveres, não gosto de coisas demasiado vivas. Não gosto de barulho e movimento, nem de confusão. Gosto do silêncio, e de tocá-lo com pensamentos profundos. Não gosto de pedir ajuda, mas gosto de dá-la. Gosto da minha melhor amiga, a Catarina, provavelmente mais do que qualquer outra coisa ou ser. De novo, também não sei exactamente as razões por trás desse gosto. Não gosto de me sentir nervoso ou inseguro, porque não consigo evitar ver isso como um sinal de fraqueza. Gosto de tentar melhorar todos os dias, no máximo de áreas possível. Não gosto de cumprimentar ou dizer adeus às pessoas, porque vou vê-las já no dia seguinte. Não gosto de comer, porque acho o acto uma perda de tempo (também não gosto que seja vitalmente necessário, obviamente). Gosto de pensar, sentindo-me em sincronia com o Universo enquanto o faço. Gosto de escrever, e rápido, como se temesse que as palavras iriam fugir. Gosto de passar a mão pelo cabelo e não gosto de coisas pegajosas ou sujas. Não gosto do Mundo em geral, porque acredito que é um lugar naturalmente mau. Também não gosto muito da vida em si devido ao facto de ela ser um dever, e não um direito. Gosto da palavra “efémero”, a minha palavra favorita, não pelo significado mas pelo seu som de cócegas na barriga. Gosto de cor-de-rosa, de preto e de vermelho, mas não dos três ao mesmo tempo. Gosto de imaginar coisas impossíveis, e depois escrever histórias fictícias sobre elas. Não gosto de, neste momento, se aproximar a última palavra da folha.

 

 

Diogo Ribeiro 11ºB



donos das palavras pratadanossacasa às 15:33
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