Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

“ … aqueles que por obras valerosas

Se vão da Lei da Morte libertando.”

 

                                                           Luís de Camões

 

 

 

            Eu acredito que Barack Obama será, incontornavelmente, uma das lendas do século XXI.

                Sendo o primeiro presidente negro dos EUA, é visto por muitos como um “salvador”, alguém que irá, certamente, ser capaz de trazer paz e estabilidade a este inconstante mundo, após tantos anos de uma desastrosa administração Bush.

                A sua inteligência (atestada pelo seu elevado QI), a sua sabedoria (apesar de ser, por muitos, considerado um político inexperiente), a sua ilustre cultura, a sua sensibilidade e bom senso transmitem esperança, serenidade, segurança e a promessa de um futuro melhor a todos os habitantes do Planeta Terra.

                Já começou a fazer história (a sua cor de pele fê-la por ele) e acredito que muitos mais actos heróicos estão para vir (por exemplo, a erradicação do conflito iraquiano).

                Considero que Obama possui todas as qualidades que caracterizam uma lenda: é íntegro, carismático, charmoso, dotado de uma mente brilhante, que está a usar para o benefício de todos e não para o seu lucro pessoal.

                Estou certa de que terá, quando morrer, o mais honroso e impressionante tributo e todos irão lembrá-lo como um herói, alguém extremamente corajoso, que arriscou pelo seu povo, mesmo pondo-se a si e à sua família em risco.

                Nunca será esquecido e, como disse o poeta épico português, apesar da morte física, permanecerá vivo e imortalizado pelas obras e feitos terrenos. “Yes he can!”

 

Mariana Brandão, 11.ºA

 

 

 



donos das palavras pratadanossacasa às 19:00

A manhã de domingo é um sopro de ar fresco. A manhã de domingo é um acordar relaxado que mistura pensamentos positivos com chuva miudinha gelada e pequenos-almoços na cama dignos de uma daquelas típicas comédias românticas americanas. Ninguém o pode negar, a manhã de domingo é aquele último adeus descansado ao fim-de-semana que passamos enroscados nos lençóis a ver séries da Fox ou desenhos animados deprimentes, quando sentimos aquela sensação de absoluto conforto e uma vontade inexplicável de sorrir enquanto nos espreguiçamos.

Nesta manhã de domingo, enquanto estou sentada no balcão da cozinha, deixando os meus pés balançar sem tocar no chão e acolhendo o tacto quente de uma chávena de café nas minhas mãos, olho para o exterior chuvoso, tão invernal que poderia ser confundido com o dia de Natal. Estou sozinha, a casa está vazia e nada ouço para além do burburinho tímido do rádio na outra divisão ao lado e do cair ritmado da chuva. Uma nostalgia invade os meus músculos, não de uma maneira melancólica mas feita de uma saudade quente dos dias de verão e das peles bronzeadas que pareciam até há bem pouco tempo estar presentes e, no entanto, é quase fim de ano.

Foi aí que me apercebi de como o tempo corria desvairadamente, não deixando espaços para paragens indecisas de pessoas inseguras, tal como o meu miserável caso.

“É um remoinho veloz que te arrasta para o futuro a cada segundo que passa.” tinha lido algures.

Mal este pensamento surgiu na minha mente senti uma revolta incontrolável e um desamparo amedrontado. Não era justo! Até algo tão imperturbável e impiedoso como o tempo deveria dar um desconto a adolescentes vacilantes e assustadas, certo? Como era possível construir realmente uma vida completa se para isso era necessário quase desistir dos momentos que “desperdiçamos” a respirar?

Eu não quero, não quero que tudo passe tão rápido, não quero caminhar o resto da minha vida acompanhada pelo peso na consciência das experiências que não tive, das pessoas que não conheci e dos sítios onde não fui e, principalmente, não quero esta sensação de impotência em relação à minha própria vida.

Suspirei pesadamente pousando a chávena, já vazia, ao meu lado no mármore cor de azeitona. Formara-se um nó de excelência de marinheiro no meu estômago, sentia-me fraca, ridícula e envelhecida afinal, poderíamos denominar aquela situação como uma crise de meia-idade. “Óptimo, uma crise de meia-idade aos dezasseis anos!” pensei ironicamente. Recostei a cabeça no armário atrás de mim e dirigi o meu olhar enfadado para o tecto contando todos os quadradinhos que o constituíam como peças de um puzzle demasiado fácil até para crianças.

Bem, talvez não tivesse de ser assim… eu continuo eu e a vida continua a minha vida. Talvez só tivesse de me deixar ir com a força da corrente para não me afogar, não é isso que costumam dizer as pessoas adultas e inteligentes? O nó desatou-se instantaneamente.  

Desci de um salto impulsionado pelas mãos no balcão e, mal senti o chão, corri para o meu quarto. Enquanto subia as escadas pensava nas inúmeras coisas que queria fazer hoje, no que queria arriscar hoje. Vesti-me da maneira mais rápida que consegui e conduzi-me até a porta. Ao abri-la senti o ar fresco e molhado chicotear-me a cara e o cabelo obrigando-me a fechar os olhos. Sorri e tornei a abri-los, não seria o mau tempo que me impediria de aproveitar o dia.

 

Inês Gomes, 11.º E

 

 

 



donos das palavras pratadanossacasa às 18:58

 

Ser eu sendo tu,

Ser livre estando presa,

Olhar-te não te olhando.

Amar, não amando,

Ter o que não posso.

Sonhar contigo, meu sonho

Fazendo o que faço

Tomando-te como certo

És tudo menos correcto

Estrela que brilhas na minha noite

Imaginação real!

Ter-te é realização

Dedico todos os meus dias a ti

Minha fútil paixão.

 

 

 

                            Maria João Marques 12ºC

 



donos das palavras pratadanossacasa às 11:51

Poeta em seu esplendor

De imagem obscura

No papel, evasa a dor

De uma alma insegura.

 

Tinha nome de gente

Mas ansiava ser multidão

Era através da avançada mente

Que conseguia ver para lá da emoção.

 

Autor incompreendido

Consciente fingidor

Não tivesse naquela época nascido

E não seria do modernismo precursor.

 

Condenado ao pensamento

Inato e constante

Tem a frustração como maior tormento,

Este ser errante.

 

Oh imortal escritor,

Viverás para sempre reminiscente

Enquanto esta “nação valente”

Sentir, nas veias, fervor!

 

Rui Carvalho 12ºB

 



donos das palavras pratadanossacasa às 11:29

Ser que pensas tão genialmente,

São elas a maior recompensa

Que permitem à tua mente

Transparecer o que pensa.

 

As tuas mostram grande sapiência

São elas o produto parcial

De uma consciência

Quase imortal.

 

Delimitadas apenas pela imaginação

São elas que evasam as dores

Do teu pobre coração.

 

Rui Carvalho 12ºB



donos das palavras pratadanossacasa às 11:23

“Era um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal e deslumbrante, uma dessas paixões que assaltam uma existência, a assolam como um furacão, arrancando a vontade, a razão…”

 

Os Maias, Eça de Queirós

 

 

 

 

 

  “Não há amor como o primeiro”. Quando começa, sem sabermos bem porquê, sentimo-nos esmagados pela realidade que vivemos. Quando recuperamos os sentidos e a respiração, estamos incondicional e irrevogavelmente apaixonados. Não o queremos perder mais. Queremos que ele oiça tudo o que aprendemos a dizer, que ele sinta, tenha paciência, e nos oiça até ficarmos sem voz, até se aperceber de tudo o que provoca em nós.

            O primeiro amor é irracional: quanto mais amamos, menos sentido existe para tudo. Quando ele olha para nós, sentimos vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, porque sabe fazer de nós a pessoa mais feliz do mundo. Já não sabemos se tudo o que somo é por ele, mas incompreensivelmente, somos o mesmo que ele e vemos coisas que outros nunca conseguirão ver. Sabemos com toda a certeza que a pouca lucidez que temos nos permite, que é quem queremos, pois consegue dar-nos um sorriso todos os dias. Não sabemos explicar o que sentimos quando está perto, mas é, sem dúvida quem nos faz feliz e isso vale mais do que qualquer outra coisa.

            Não é possível que depois de tudo consigamos amar outra pessoa desta forma insustentável, nunca tão apaixonadamente. Entregamo-nos de mais a este amor incrível, descobrimos tudo o que desconhecíamos. O primeiro amor preenche-nos por completo, ocupa todo o nosso corpo. Inexplicavelmente, precisamos de tudo o que é dele e queremos que ele necessite de tudo o que é nosso. Não podíamos ter encontrado alguém melhor.

            No final, o coração guarda o que nós, sem saber como, deixamos escapar das mãos e, como sinal de amor puro, mesmo quando já não está lá quem amamos, continua a ser essa pessoa quem nos acompanha. A razão porque a separação dói tanto justifica-se com o facto de termos, inevitavelmente, ligado a nossa alma a outra.

 

 

 

Beatriz Cruz 11ºB

 

 



donos das palavras pratadanossacasa às 11:18
Esta é a nossa casa. A prata que lá temos são meninos, não de prata mas de ouro...
Colégio Dom Diogo de Sousa

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