Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

“Era um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal e deslumbrante, uma dessas paixões que assaltam uma existência, a assolam como um furacão, arrancando a vontade, a razão…”

 

Os Maias, Eça de Queirós

 

 

 

 

 

  “Não há amor como o primeiro”. Quando começa, sem sabermos bem porquê, sentimo-nos esmagados pela realidade que vivemos. Quando recuperamos os sentidos e a respiração, estamos incondicional e irrevogavelmente apaixonados. Não o queremos perder mais. Queremos que ele oiça tudo o que aprendemos a dizer, que ele sinta, tenha paciência, e nos oiça até ficarmos sem voz, até se aperceber de tudo o que provoca em nós.

            O primeiro amor é irracional: quanto mais amamos, menos sentido existe para tudo. Quando ele olha para nós, sentimos vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, porque sabe fazer de nós a pessoa mais feliz do mundo. Já não sabemos se tudo o que somo é por ele, mas incompreensivelmente, somos o mesmo que ele e vemos coisas que outros nunca conseguirão ver. Sabemos com toda a certeza que a pouca lucidez que temos nos permite, que é quem queremos, pois consegue dar-nos um sorriso todos os dias. Não sabemos explicar o que sentimos quando está perto, mas é, sem dúvida quem nos faz feliz e isso vale mais do que qualquer outra coisa.

            Não é possível que depois de tudo consigamos amar outra pessoa desta forma insustentável, nunca tão apaixonadamente. Entregamo-nos de mais a este amor incrível, descobrimos tudo o que desconhecíamos. O primeiro amor preenche-nos por completo, ocupa todo o nosso corpo. Inexplicavelmente, precisamos de tudo o que é dele e queremos que ele necessite de tudo o que é nosso. Não podíamos ter encontrado alguém melhor.

            No final, o coração guarda o que nós, sem saber como, deixamos escapar das mãos e, como sinal de amor puro, mesmo quando já não está lá quem amamos, continua a ser essa pessoa quem nos acompanha. A razão porque a separação dói tanto justifica-se com o facto de termos, inevitavelmente, ligado a nossa alma a outra.

 

 

 

Beatriz Cruz 11ºB

 

 



donos das palavras pratadanossacasa às 11:18
Esta é a nossa casa. A prata que lá temos são meninos, não de prata mas de ouro...
Colégio Dom Diogo de Sousa

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