Domingo, 04 de Abril de 2010

Escrevo e apago. Este é um tema que me deixa, mais do que qualquer outro, reticente, sem saber ao certo o rumo que as minhas palavras podem levar. Podia dizer tantas coisas, este é um dos assuntos sobre os quais mais tenho para dizer, por ter a sorte de escrever precisamente o que sinto, ou melhor, por conseguir sentir exactamente o que escrevo.

Não quero parecer demasiado prematura a falar sobre isto, pois é costume ser algo discutido por pessoas bastante mais velhas que eu, que abordam o tema apenas como uma recordação, ou um conjunto delas. Eu tenho, felizmente a sorte de falar no presente e de poder viver cada segundo de uma das fases mais bonitas da vida de qualquer pessoa, a juventude.

Não sei ao certo se esta deveria ser a minha maneira de pensar, considerando a minha idade. Como já referi, é um tema que, tal como muitos outros, vejo ser discutido por faixas etárias superiores à minha, mas é curioso que por vezes me sinto tentada e entrar na discussão, talvez pela minha enorme curiosidade e atenção acerca de tudo o que me rodeia. Não obstante, acabo por ficar sempre pela tentação já que considero não ter a credibilidade nem mesmo a sabedoria necessária para ser capaz de tais considerações, dai que me fique pelo papel, onde sei que serão poucos os meus interlocutores, e onde sinto a liberdade que necessito para me expressar

Tenho receio que a juventude me escape por entre os dedos. Às vezes pela mínima coisa discutimos, choramos, perdemos tempo, ganhamos rugas. Será que ainda não percebemos que provavelmente estamos a viver a melhor época das nossas vidas? A única em que as responsabilidades ainda são poucas, mas na qual já temos maturidade suficiente para aproveitar ao máximo todas as experiências. O que mais queria era eternizar a juventude, aliás, quem não queria? Todos os dias descubro algo mais que a vida me pode mostrar. Todos os dias conheço pessoas, conheço locais, vivo momentos inesquecíveis. Se a nossa juventude é o espelho da vida adulta, então, no futuro, conto ser uma adulta muito feliz. Os amigos que fazemos hoje, são possivelmente os que mais nos acompanharão amanhã e depois, é nesta fase que se fazem amizades de uma vida. É agora o tempo das aventuras, das descobertas, das histórias e das vivências que ficarão marcadas e que nos acompanharão por toda a nossa existência, até que as transmitiremos para outros, de forma a eternizá-las nas gerações. E é na juventude que escolhemos o que somos, é nesta fase que, retirando o melhor de tudo o que conhecemos, temos a oportunidade de construir a nossa pessoa, daí que seja inerente à juventude a capacidade de imaginar, criar, inventar    (-se).

As dúvidas e controvérsias tão características, todas as hesitações e debilidades de quem não tem ainda a personalidade totalmente construída, mas espera ansiosamente a próxima etapa, o próximo desafio que a vida lhe proporcionará, tudo é, claro, partes de uma etapa, de um dos degraus mais importantes e marcantes da vida. Daí o meu grande medo de não aproveitar tudo aquilo que devia, de não vivenciar tudo o que era suposto e de não crescer atempadamente, dando demasiada importância aos pormenores e deixando que as fraquezas se apoderem do que sou.

Hoje, hesitante, escrevo e apago, na incerteza de que aquilo que disse foi claro e explícito, mas com a maior garantia de que o que disse foi, palavra a palavra, totalmente sentido.



donos das palavras pratadanossacasa às 12:16
Esta é a nossa casa. A prata que lá temos são meninos, não de prata mas de ouro...
Colégio Dom Diogo de Sousa

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